Nathalia HoffmannAdvocacia

III · Gestão Empresarial

Decisões de gestão com o jurídico na mesa

Muitas decisões do dia a dia da empresa têm consequência tributária ou contratual. O acompanhamento jurídico serve para que essas consequências sejam conhecidas antes, e não descobertas depois.

Em poucas palavras

Na gestão empresarial, a advocacia deixa de ser chamada apenas quando há problema e passa a participar das decisões: regime tributário, remuneração dos sócios, contratos relevantes, abertura de filiais e adaptação à Reforma Tributária. O acompanhamento pode ser feito por demanda ou de forma contínua.

Decisões que parecem apenas administrativas

Algumas escolhas são tomadas como se fossem operacionais, mas definem quanto a empresa paga de tributo e quanto risco assume. Por exemplo:

  • abrir uma filial ou passar a vender para consumidores de outro estado, o que muda a forma de recolher o ICMS;
  • definir quanto cada sócio recebe como pró-labore e quanto recebe como distribuição de lucros;
  • assinar um contrato de longo prazo sem cláusula sobre a mudança de tributos durante a Reforma Tributária;
  • incluir uma nova atividade no CNPJ sem verificar se ela é permitida no regime atual;
  • contratar serviços sem conferir as retenções de tributos que cabem à empresa contratante.

Cada uma dessas decisões pode ser tomada em poucos dias. Corrigir o efeito, quando ele aparece em uma fiscalização, costuma levar anos.

Distribuição de lucros: o que mudou em 2026

A Lei 15.270/2025 passou a prever, desde janeiro de 2026, a retenção de 10% de imposto de renda sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física acima de R$ 50 mil por mês, além de uma tributação mínima para rendas altas, apurada na declaração anual. Para os sócios, a mudança exige rever a forma e a periodicidade das retiradas, sempre com base em lucros devidamente apurados na contabilidade.

A Reforma Tributária na rotina da empresa

Com a CBS e o IBS, o imposto pago nas compras passa, em regra, a gerar crédito para abater o imposto devido nas vendas. Isso afeta preço, margem e até a escolha de fornecedores. As empresas do Simples Nacional poderão optar por recolher a CBS e o IBS fora do regime, para que seus clientes aproveitem créditos integrais (Lei Complementar 214/2025). É uma decisão que depende do perfil de quem compra da empresa e que precisa ser estudada com antecedência.

Contratos longos merecem atenção especial: sem uma cláusula que trate da mudança de tributos ao longo da transição, o aumento ou a redução da carga pode desequilibrar o acordo para uma das partes.

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Como o acompanhamento funciona

A assessoria pode ser contratada para uma decisão específica ou de forma contínua. No formato contínuo, a empresa tem contato direto com a advogada para consultas, revisão dos contratos relevantes e reuniões periódicas para avaliar a situação fiscal e societária. O escopo e a periodicidade são definidos na proposta, conforme o porte e o momento da empresa.

Responsável: Dra. Nathalia Hoffmann · OAB/RS 142.893 · Atualizado em outubro de 2026

Dúvidas frequentes

Dúvidas sobre gestão empresarial

Preciso ter um problema para contratar?

Não. Esta área existe justamente para as decisões que ainda não viraram problema. Avaliar um contrato ou uma mudança de regime antes de assinar custa menos do que corrigir o efeito depois.

Esse trabalho substitui o contador?

Não. A contabilidade continua responsável pela escrituração, pela apuração e pelas declarações. A assessoria jurídica avalia o efeito legal das decisões e trabalha em conjunto com o contador da empresa.

Atende empresas do Simples Nacional?

Sim. Pequenas e médias empresas, inclusive do Simples Nacional, são o foco da atuação. A Reforma Tributária traz decisões novas para elas, como a possibilidade de recolher a CBS e o IBS fora do Simples.

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